
Nayib Bukele é uma figura central na política contemporânea de El Salvador, conhecido por sua abordagem linha-dura contra o crime e por transformar o país, que já foi um dos mais violentos do mundo, em um exemplo de redução drástica da criminalidade. Vou contar sua história, desde sua trajetória política até suas vitórias contra o narcotráfico e gangues de alta periculosidade, culminando com o recente acordo com os Estados Unidos envolvendo o grupo criminoso venezuelano Tren de Aragua.

Trajetória Política de Nayib Bukele
Nayib Armando Bukele Ortez nasceu em 24 de julho de 1981, em San Salvador, capital de El Salvador, em uma família de origem palestina com forte influência empresarial e política. Seu pai, Armando Bukele Kattán, foi um empresário bem-sucedido e uma figura proeminente na comunidade muçulmana salvadorenha, além de ter laços com a Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN), um partido de esquerda que emergiu como guerrilha durante a guerra civil (1980-1992). Nayib cresceu em um ambiente privilegiado, mas também exposto às dinâmicas políticas do país. Ele estudou direito, mas não concluiu o curso, optando por ingressar nos negócios familiares, como a agência de publicidade que trabalhava com campanhas políticas.
Sua entrada na política veio em 2012, quando foi eleito prefeito de Nuevo Cuscatlán, uma pequena cidade próxima à capital, pelo FMLN. Em 2015, assumiu a prefeitura de San Salvador, onde ganhou visibilidade nacional por iniciativas modernizadoras, como revitalização de espaços públicos, e por sua habilidade em usar as redes sociais para se conectar com a população, especialmente os jovens. Contudo, desentendimentos com a liderança do FMLN levaram à sua expulsão do partido em 2017. Bukele então fundou o partido Nuevas Ideas, com o qual concorreu à presidência em 2019, vencendo com 53% dos votos aos 37 anos, rompendo o domínio bipartidário histórico entre FMLN e ARENA (Aliança Republicana Nacionalista).
Apelidado de “presidente milenial“, Bukele se destacou por sua imagem descontraída – abandonando gravatas por roupas casuais – e por sua comunicação direta via redes sociais, como o Twitter (atual X) e o TikTok, onde se tornou um fenômeno global. Ele capitalizou o descontentamento popular com a corrupção e a insegurança, prometendo mudanças radicais.

Vitórias Contra o Narcotráfico e Bandidos de Alta Periculosidade
Ao assumir a presidência em 1º de junho de 2019, Bukele enfrentou um El Salvador marcado por décadas de violência extrema, impulsionada por gangues como a Mara Salvatrucha (MS-13) e o Barrio 18. Essas organizações, originadas em parte nos EUA entre imigrantes salvadorenhos deportados, dominavam territórios através de extorsão, tráfico de drogas e homicídios, tornando o país um dos mais perigosos do mundo, com taxas de homicídios que chegaram a 107 por 100 mil habitantes em 2015.
Bukele lançou o Plano de Controle Territorial, uma estratégia de segurança que começou com o cerco militar e policial a cidades controladas por gangues, como Soyapango. Em março de 2022, após um fim de semana com 87 assassinatos atribuídos às gangues, ele conseguiu a aprovação de um “regime de exceção” pelo Congresso, que suspendeu direitos constitucionais como o de defesa e permitiu prisões em massa sem mandado judicial. Desde então, mais de 70 mil pessoas foram detidas, muitas delas transferidas para o Centro de Confinamento do Terrorismo (Cecot), uma megaprisão de segurança máxima inaugurada em 2022, com capacidade para 40 mil detentos.
Essa “guerra às gangues” reduziu drasticamente a violência: a taxa de homicídios caiu para 7,8 por 100 mil em 2022 e, em 2023, chegou a 2,4, uma das mais baixas das Américas. Bukele também negociou acordos secretos com líderes de gangues (segundo investigações do jornal El Faro, embora o governo negue), mas rompeu essas tréguas quando necessário, priorizando a repressão. Sua popularidade disparou, alcançando índices acima de 90%, e ele foi reeleito em fevereiro de 2024 com mais de 85% dos votos, apesar de críticas sobre violações de direitos humanos e manobras para contornar a proibição constitucional de reeleição.

Em 16 de março de 2025, El Salvador recebeu os primeiros 238 membros do Tren de Aragua
Chegada dos Primeiros 238 Membros do Tren de Aragua e Sustentabilidade Financeira
Em 16 de março de 2025, El Salvador recebeu os primeiros 238 membros do Tren de Aragua, uma organização criminosa venezuelana, deportados dos Estados Unidos como parte de um acordo firmado entre Bukele e o governo de Donald Trump. Esses indivíduos, junto com 23 membros da MS-13, foram enviados ao Cecot para cumprir penas de um ano (renováveis). O acordo, assinado em fevereiro de 2025 durante a visita do Secretário de Estado Marco Rubio, prevê que os EUA paguem US$ 20 mil por detento, uma quantia que Bukele descreveu como “baixa para os EUA, mas significativa para El Salvador”. Em posts no X, ele celebrou a chegada dos deportados, ironizando uma tentativa judicial nos EUA de barrar a transferência com a frase “Oops, tarde demais”.
Bukele destacou que esse influxo financeiro, combinado com um programa de trabalho penitenciário, tornará o sistema prisional salvadorenho autossuficiente. Presos no Cecot já são utilizados em tarefas como construção e limpeza, reduzindo custos e gerando receita. Ele propôs expandir o modelo, oferecendo-se para receber até criminosos americanos condenados, aliviando o sistema penitenciário dos EUA enquanto lucra com as taxas.
Assista a chegada dos primeiros prisioneiros vindo dos EUA:





