
Em Remanso, município do norte da Bahia reeleito em 2024 com 57,62% dos votos, o prefeito Marcos Palmeira (PC do B) assumiu comprometido com melhorias estruturais — incluindo a promessa de aumentar a capacidade de atendimento e regulação de leitos para os casos graves. No entanto, a realidade do serviço público de saúde na cidade revela um padrão perturbador de negligência sistêmica, onde a chamada “regulação da morte” ocorre silenciosa e cotidianamente.
Um morador chegou a desabafar sobre o serviço de saúde na cidade afirmando que “transformaram a Unidade de Emergência em hospital, sem condições de atender a população” e que a população já precisa recorrer a cidades vizinhas, como Juazeiro e Petrolina, para ser atendida. O que se percebe é um sistema regido por uma regulação ineficiente e contaminada, capaz de determinar quem vive e quem morre enquanto aguarda uma vaga — consequência direta de um sucateamento administrativo.
A Justiça, por meio do Coren-BA, já determinou em 2022 que Remanso mantenha enfermeiros em plantão 24 horas nas UBSs, sob pena de multa diária, pela evidente falha de gestão que deixava pacientes sem suporte técnico adequado. Mesmo com a norma em vigor, ninguém repôs as deficiências do passado. Hoje, o quadro segue precário: sem profissionais suficientes para acolher, acolher e encaminhar adequadamente — um cenário propício para que vidas sejam ignoradas em corredores.
Nas redes sociais, casos emblemáticos emergem com força: vídeos circulam mostrando pacientes em crise, sendo atendidos no chão, em recepções lotadas, gerando revolta e protestos, pois, muitas vezes, só são tratados quando já estão à beira da morte . Esse tipo de exposição confirma que, em Remanso, o sistema regulatório não apenas falha — mata.
A tragédia se repete constantemente: trabalhadores da saúde exaustos, equipes reduzidas e profissionais sem condições mínimas — muitos deles “demitidos ou afastados” por culpa da própria administração, não por negligência pessoal. O resultado? Um lugar onde quem chega com dor, convulsão ou infarto enfrenta uma espera que muitas vezes significa o fim, enquanto a regulação esbarra na falta de fiscalização, insumos e competência de gestão.
Marcos Palmeira, que prometeu transformar Remanso numa “cidade de todos” durante sua posse em janeiro de 2025, precisa reconhecer que uma boa retórica não salva vidas. Acionar os gabinetes em Salvador, abrir feiras de saúde, inaugurar infraestruturas — tudo isso contribui, mas não é suficiente para conter o ritmo letal da regulação falha.

O que está em jogo?
- Prioridade técnica vs. política
A regulação da morte só persiste porque o critério técnico (gravidade clínica) segue fragilizado por decisões políticas, favoritismo e falta de transparência. - Superlotação e subdimensionamento
Com UBS’s e UPA improvisando funcionamento como hospitais sem estrutura e sem equipe 24 horas, pacientes graves morrem antes mesmo de terem acesso à internação apropriada. - Gestão ineficiente e punição ao mais fraco
Em vez de fortalecer o sistema, a resposta da prefeitura é demitir terceirizados e profissionais, jogando a culpa sobre quem está no chão de batalha — uma fuga das responsabilidades administrativas. - Regulação sem controle
O quadro se agrava: sem supervisão efetiva e sem capacidade de regulação técnica, o sistema extingue vagas antes de distribuí-las, deixando vidas sem assistência.
REGULAÇÃO DA MORTE
Chamar esse sistema de “regulação da morte” é tragicamente literal em Remanso. Por trás de promessas políticas e eventos políticos como feiras e inaugurações, está uma realidade nua e crua: falhas estruturais e uma gestão que ignora os riscos reais das filas e atrasos. Se Marcos Palmeira quer honrar o mandato por mais quatro anos, precisa transformar a estrutura da regulação hospitalar, garantir equipes adequadas, fortalecer fiscalização e colocar a técnica — e não a política — no centro das decisões em saúde. Só assim, Remanso terá alguma chance de quebrar esse ciclo letal.
Veja o vídeo no instagram e Youtube:
https://www.instagram.com/reel/DKsI80MAWFU/?utm_source=ig_web_copy_link&igsh=MzRlODBiNWFlZA==





